CIÚME

CIÚME EXCESSIVO

#janeirobranco

“Você deixou de fazer coisas que gostava por conta de seu relacionamento amoroso?”

O ciúme excessivo é uma característica comportamental de cuidar e prestar atenção ao parceiro amado de forma repetitiva e controladora além do esperado em uma relação amorosa, diferente do ciúme “normal”, que é aquele baseado em fatos (SOPHIA; TAVARES; ZILBERMAN, 2007). O ciúme “normal” ocorre em função de uma ameaça real que possa surgir no relacionamento, já o ciúme excessivo/patológico, persiste devido ausência de qualquer ameaça real (Pines, 1992).

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O ciúme excessivo é um sintoma muitas vezes herdado de outros transtornos, como o transtorno obsessivo convulsivo (TOC) onde o sujeito possui pensamentos obsessivos ou compulsões. Como também pode ser herdado devido o transtorno de personalidade delirante, onde a pessoa possui a idéia fixa de que o outro está fazendo algo de ruim contra ele(a). Geralmente se caracteriza em ver coisas com recorrência na relação amorosa achando que o parceiro(a) esteja traindo. Esses comportamentos podem ser aprendidos de acordo com identificação dos pais, como também pode ser de herança genética ou até mesmo experiências dolorosas de outros relacionamentos. A pessoa que tem o ciúme excessivo possui um medo de perder a pessoa amada e tem uma ligação ao campo afetivo e emocional na relação. Ocorre de acordo com a intensidade de emoções alteradas podendo ter idéias fixas e delirantes de forma fantasiosa.

Algumas características no ciúme excessivo são bastante importantes a serem identificados e geralmente quando o parceiro(a) se distancia ou quando estão brigados, o sujeito que possui o ciúme excessivo costuma sentir sensação de abstinência, angustia, taquicardia ou grande quantidade de suor sempre que surge a mesma situação ou evento. Existe também um padrão de preocupação de maneira excessiva sem conseguir diminuir a atenção e o cuidado que presta ao seu(sua) parceiro(a). Tira a vítima do convívio de familiares e amigos, controla a forma de seu(sua) parceiro(a) se vestir, regula o horário quando ele(a) sai, e chega até gastar muito tempo para controlar/monitorar as atividades mantendo a senha das redes sociais do facebook ewhatsApp, como também chega até fazer ligações para o telefone para ver onde ele(a) está. Muitas vezes ele(a) deixa de fazer as coisas de que gostava de fazer devido o tempo que gasta com o controle excessivo do relacionamento e trazendo problemas para sua vida pessoal, do parceiro e familiar (ABREU; TAVARES; ATHANÁSSIOS, 2008). Fatores familiares podem ser associados a esse comportamento, como abuso de substâncias de álcool e outras drogas. Embora o ciúme excessivo venha crescendo cada dia na sociedade, ainda não existe dados confiáveis sobre a freqüência na população no âmbito do controle estatísticos dos eventos relacionados com saúde (SOPHIA; TAVARES; ZILBERMAN, 2007).

Os fatores cognitivos, comportamentais e afetivos na relação amorosa entre o casal estão relacionados aos vínculos quando na infância, se caracterizam de forma singular através das experiências emocionais registradas quando criança. Essas experiências iniciais são:

  • Necessidades de ser amada e querida
  • Apego ansioso/ambivalente
  • Medo de rejeição, abandono, perda, frustração (angustia)
  • Internalização dos vínculos (mãe bebê)
  • Ausência de instabilidade ou amor
  • Situações estressantes

De acordo com a literatura, é na fase da adolescência onde surge o ciúme excessivo e ele se desenvolve como um padrão no relacionamento proporcionando alívio da sensação de angustia movida pela ausência ou carência afetiva. Estudo da neurobiologia vem crescendo após os avanços da neurociência onde o sistema dopaminérgico cortiço-estrial apontam as regiões específicas do cérebro na sensação de estar apaixonado (ROBINSON, 1993). Atualmente, a terapia cognitiva comportamental (TCC) é a mais indicada para o tratamento, pois existem evidências científicas com resultados satisfatórios com foco na relação terapêutica voltada para acolher o paciente em sua singularidade e ajudando a identificar suas emoções e sentimentos dolorosos com a reparação de padrões de pensamento disfuncional através da psicoeducação, pois muitas vezes o sintoma costuma evoluir e o paciente pode chegar ao desespero ao rompimento do relacionamento. Os antidepressivos e os estabilizadores de humor também é uma forma de conter o ciúme quando passado pelo psiquiatra. Para esse caso, a vítima do ciúme também precisará ter o acompanhamento do profissional de saúde para melhoria do processo.

Na análise do Comportamento, os eventos de privação e controle na relação amorosa no ciúme excessivo, estão relacionados ao condicionamento reflexo e operante descrito por Skinner, (1989/1991). O condicionamento reflexo é capaz de provocar respostas que podem ter reações fisiológicas quando o indivíduo descreve quando estiver com ciúme, como sudorese, taquicardia, aperto no peito e na garganta ou perda de controle. Já o condicionamento operante contribui para o entendimento de forma como se estabelece/ocorre essa fisiologia e o que esse sujeito faz diante dessa sensação e porque faz. Sendo assim, sempre que houver privação e controle na relação sem que o parceiro(a) sinta-se à-vontade, a relação passa a fazer parte de uma dependência entre os eventos de acordo com as contingências. Existe uma grande diferença na comunicação entre cônjuges que fere os sentimentos um do outro durante uma conversação (Gottman, et al., 1976). E é na interação/comunicação do casal que existem alguns comportamentos que causam conflitos que servem de gatilhos emocionais causando desavenças e exigências injustas (Christensen; Jacobson, 2000). O treinamento em resolução de problemas ensina aos casais estratégias concretas para lidar com esses problemas, que invariavelmente afloram durante o relacionamento do casal (VANDENBERGHE, 2008). Segundo Falcone (2001 a, p. 202), “As habilidades sociais têm sido relacionadas à melhor qualidade de vida, a relações interpessoais mais gratificantes, à maior realização pessoal e ao sucesso profissional”. Sendo assim, o papel do THS, como uma estratégia de intervenção complementar, também pode auxiliar nos casos de ciúme excessivo como também na dinâmica interpessoal de cada indivíduo em seu sofrimento. A Equipe da Supere Psicologia está sempre ao seu lado!

Flávio Minervino

flaviosilva2403@hotmail.com

Estudante de Psicologia FAFIRE

Referências

ROBINSON, T. The neural basis of drug craving: An incentive-sensitization theory of addiction. Brain Research Reviews, v. 18, n. 3, p. 247–291, dez. 1993.

 SOPHIA, E. C.; TAVARES, H.; ZILBERMAN, M. L. [Pathological love: is it a new psychiatric disorder?]. Revista brasileira de psiquiatria (Sao Paulo, Brazil : 1999), v. 29, n. 1, p. 55–62, mar. 2007.

 VANDENBERGHE, L. A IMPORTÂNCIA DO TREINO DE COMUNICAÇÃO NA TERAPIA THE SCOPE OF COMMUNICATION TRAINING IN BEHAVIORAL MARITAL THERAPY. p. 161–168, [s.d.].

 ABREU, Cristiano Nabuco De; TAVARES, Hermano; ,TákiAthanássiosCordás. Manual clínico dos tanstornos do controle dos impulsos. 1 ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. 224 p.

 BOWLBY, J. Attachment and Loss. New York: Basic Books, (1969). Vol. 1.

 ROSARIO-CAMPOS, Maria Conceição do  and  MERCADANTE, Marcos T.Transtorno obsessivo-compulsivo. Rev. Bras. Psiquiatr.[online]. 2000, vol.22, suppl.2, pp.16-19.

 Skinner, B. F. (1991). Questões recentes na análise comportamental. Tradução de A.L. Neri. Campinas:Papirus. (trabalho original publicadoem1989).

 Pines, A. M. (1992) Romantic jealousy the shadow of love.Psychology Today, 25 (2), 48-55.Sagarin, B.J., Becker, D.V., Guadagno, R.E, Nicastle, L.D.&Millevoi, A. (2003). Sex differences (and similarities) in jealousy: the moderating influence of infidelity experience and sexualorientation of the infidelity.Evolution andHumanBehavior, 24 (1), 17-23.

 Gottman, J. M., Notarius, C. I., Gonso, J. &Markman, H. J. (1976).A couple’s guide to communication. Champaign: Research.

 Christensen, A. & Jacobson, N. S. (2000).Reconcilable Differences. New York: The Guilford.

 VANDENBERGHE, L. A IMPORTÂNCIA DO TREINO DE COMUNICAÇÃO NA TERAPIA THE SCOPE OF COMMUNICATION TRAINING IN BEHAVIORAL MARITAL THERAPY. p. 161–168,  mar.2008.

 FALCONE, E. M. Habilidades sociais: Para além da assertividade. In: WIELENSKA, R.C. (Org.). Sobre comportamento e cognição: questionando e ampliando a teoria e as intervenções clínicas e em outros contextos. 6 v. Santo André: ESETEC, 2001.

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