14 de Julho – DIA DA LIBERDADE DE PENSAMENTO

“Penso, Logo Existo!” (R. Descartes)

“Penso, logo existo” é uma frase icônica dita pelo filósofo francês René Descartes, que marcou a visão do movimento Iluminista, colocando a razão humana como única forma de existência. O filósofo e matemático desejava obter o conhecimento absoluto, irrefutável e inquestionável. Descartes achava que não tinha aprendido nada de substancial (com exceção da matemática) em seus estudos.

Todas as teorias científicas acabavam por ser refutáveis e substituídas por outras, não havia nenhuma certeza verdadeira além da dúvida. Descartes, então, passou a duvidar de tudo, inclusive da sua própria existência e do mundo que o rodeava.

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No entanto, Descartes encontrou algo que não poderia duvidar: da dúvida. De acordo com o pensamento do filósofo, ao duvidar de algo já estaria pensando e, por estar duvidando, logo pensando, estaria existindo. Descartes entendeu que ao duvidar, estava pensando, e por estar pensando, ele existia. Desta forma, a sua existência foi a primeira verdade irrefutável que ele encontrou.

Pensamentos coexistem com outros pensamentos, espontâneos, não são baseados na reflexão, passam geralmente desapercebidos, são breves, telegráficos, aceitos geralmente como verdadeiros, sem reflexão ou avaliação, pode-se aprender a identificar e checar sua validade e utilidade. Através da expressão dos pensamentos mostramos quem somos.

O termo cognitivo significa “processos de conhecimento” bem como “pensamento” ou “percepção”. O terapeuta cognitivo dá ênfase ao exame dos pensamentos e crenças relacionadas ao nosso estado de humor, comportamentos, reações físicas e aos acontecimentos em nossas vidas.

Sempre que você experimenta um estado de humor, existe um pensamento relacionado a ele que ajuda a definir o humor. Nossos pensamentos e comportamentos encontram-se geralmente intimamente relacionados. Esta é uma razão pela qual é difícil se fazer mais de duas coisas ao mesmo tempo.

Durante o dia estamos repetindo constantemente comportamentos bem treinados. Não nos apercebemos dos pensamentos que direcionam nosso comportamento, porque nossas ações tornam-se rotina. Entretanto, quando decidimos mudar ou aprender um novo comportamento, os pensamentos podem determinar se e como essas mudanças ocorrerão.

Nossas expectativas afetam nosso comportamento. Temos mais chance de fazer algo e de ser bem-sucedidos se acreditamos que isso é possível. Pensar não é o mesmo que fazer. Mas quanto mais acreditamos que algo é possível, mais provavelmente tentaremos realizar a coisa e mais chance teremos de ser bem-sucedidos em nossas tentativas.

Além dos pensamentos automáticos temos profundas crenças arraigadas, que influenciam tanto nosso pensamento automático quanto nossos padrões de comportamento. Essas crenças primárias dizem respeito a nós mesmos (Ex.: Sou inteligente / Sou fraco), a outras pessoas (Ex.: As pessoas não são confiáveis  / As mulheres são fortes), e à vida em geral (Ex.: Depois da tempestade vem a calmaria / Mudança sempre vem para melhor).

Os pensamentos também afetam nossas reações físicas. Pense na última vez que você leu um livro ou artigo de revista envolvente. Enquanto sua mente imaginava as cenas descritas, seu corpo também reagia. Imaginar uma cena assustadora pode fazer que sua frequência cardíaca aumente. Imaginar uma cena romântica pode excitá-lo sexualmente.  Os atletas usam essa poderosa relação entre pensamento e reações físicas. Os treinadores dizem frases de incentivo para seus times, para “incendiar” os membros do time e liberar adrenalina. Os nadadores olímpicos e estrelas do atletismo são com frequência, treinados a imaginar em detalhes seus desempenhos numa competição. Pesquisas demonstram que os atletas que fazem esse exercício ativo da imaginação experimentam pequenas contrações musculares que refletem os maiores movimentos musculares feitos por eles em um desempenho real.

Algumas características dos pensamentos:

  • Pequenas mudanças em qualquer outra área podem acarretar mudanças na maneira de pensar.
  • A forma como compreendemos nossos problemas tem um efeito em como lidamos com eles.
  • Os pensamentos ajudam a definir os estados de humor que experimentamos.
  • Os pensamentos influenciam o modo como nos comportamos, o que escolhemos fazer e não fazer e a qualidade de nosso desempenho.
  • Os pensamentos e as crenças afetam nossas respostas biológicas.

Veja que, até hoje, 380 anos mais tarde, o funcionamento do cérebro e as artimanhas da mente continuam a desafiar os estudiosos. Você já se deu conta que o cérebro e a mente estão intimamente ligados? Estudando mais a fundo, o cérebro, um órgão que pesa pouco mais de 1 kg, é responsável pelo controle de tudo o que fazemos. A mente é onde acontecem as atividades psíquicas conscientes e não conscientes como emoções, pensamentos, vontades e sentimentos.

O cérebro e a mente estão inter-relacionados influenciando-se mutuamente apresentando uma relação de interdependência. Exemplifico com a famosa metáfora do hardware (cérebro) e do software (mente). Sem o hardware o software de um computador não existe e, sem o cérebro, a mente não existe. Ao longo de nossas vidas, as experiência e o meio onde vivemos condicionam o nosso hardware, nosso cérebro. Quando aprendemos coisas novas como tocar um instrumento ou um novo idioma podemos modificar a estrutura do cérebro. É como se pudéssemos adestrar nosso modo de pensar.

Então, se o pensamento influencia o desenvolvimento do nosso cérebro. Se pensamos durante todo o tempo, logo podemos “ensinar” nosso cérebro e projetar situações que são boas para nós.

Você já deve ter ouvido seus avós dizerem que fazer palavras cruzadas é “ginástica para o cérebro”. Fazer palavras cruzadas é uma tarefa recomendada por neuropsiquiatras e terapeutas como “ginástica cerebral”, no tratamento da Doença de Alzheimer e demais casos em que há perda de memória. O objetivo é estimular o funcionamento do cérebro e a extensão da memória de longa duração. Funciona assim: quanto mais informações os neurônios recebem, mais sedentos de novos dados eles ficam, criando novas ligações – as sinapses – entre eles.

Construir nossa realidade e o que desejamos para nós é possível dependendo do modo como estimulamos nosso cérebro e como desenvolvemos nossa mente. A construção da mente e das novas realidades é, portanto, relativa e o melhor de tudo e que está ao nosso alcance.

No entanto, existem armadilhas de pensamentos elaboradas por processamentos de informações disfuncionais que influenciam em nossa vida e a maneira que percebemos a realidade. Gostaria de destacar duas dessas armadilhas:

  • Vejo os acontecimentos e as pessoas em termos de pensamentos do tipo “tudo-ou-nada”, “preto-e-branco”, “oito-ou-oitenta”. Exemplo: “Se eu não for aceita por todos, isto significa que sou um fracasso”.
  • Vejo os acontecimentos e as pessoas em termos de pensamentos do tipo “tudo-ou-nada”, “preto-e-branco”, “oito-ou-oitenta”. Exemplo: “Se eu não for aceita por todos, isto significa que sou um fracasso”.

Nós controlamos nossa realidade e, ao contrário do que a maioria pensa ela não está à mercê de influências externas, mas sim de nossos próprios pensamentos e crenças. Quando descobrimos nosso modelo mental acabamos “cutucando” nossa memória que passa a criar a sua própria realidade.

Somos influenciados ou influenciamos? Temos liberdade de pensamento através da auto-crítica ou mantemos idéias concordamos com tudo sem análise das evidências? Vamos pensar um pouco…?

Busque e indique a ajuda profissional diante das necessidades. A Supere Psicologia está sempre do seu lado.

Alessandro Rocha

Psicoterapeuta Cognitivo Comportamental

Mestre em Educação para Ensino em Saúde

alessandropsi@yahoo.com.br / alessandro@superepsicologia.com.br

www.superepsicologia.com.br

 

Catarina de Melo. NEUROCIÊNCIA AJUDA A MODELAR PENSAMENTOS PARA ALCANÇARMOS REALIDADES QUE DESEJAMOS. Link http://superstorm.com.br/mercado-digital/neurociencia-pode-nos-ajudar-modelar-pensamentos-para-alcancarmos-realidades-que-desejamos/. Acesso 11/07/2018.

Descartes. Link https://www.significados.com.br/penso-logo-existo/. Acesso 11/07/2018.

Padesky, C; Greenberger, D. A MENTE VENCENDO O HUMOR. Porto Alegre, Artes Médicas, 1999.

PINKER, Steven (1998). Como a Mente Funciona. São Paulo: Companhia das Letras.

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